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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Entrevista com Sommelier

Continuando os posts sobre vinhos, apresento para vocês uma entrevista com a Carolina Rojas Ferraz, da vinícola catarinense Monte Agudo.

A Caro é minha amiga de infância, ano passado ela concluiu o curso de Sommelier pelo Centro Europeu e agora está à frente da vinícola de sua família que fica em São Joaquim/SC.

Ela conversou comigo sobre seu assunto preferido, vinhos:

Carolina Ferraz no lançamento do seu vinho
Débora: Qual é a diferença entre um enólogo e um sommelier?
Carolina: O enólogo é a pessoa que faz o vinho, da parreira até o processo de vinificação que é quando o vinho fica pronto. Até pouco tempo atrás a enologia era uma pós graduação, hoje em dia já existem diversas boas faculdades que oferecem o curso.
Já o sommelier é a pessoa que está mais ligada ao pós engarrafamento, também tem noções de vinificação, mas nao é tão presente no campo. O sommelier se aprofundara mais nas caracteristicas dos vinhos, degustações, armonizações, podendo trabalhar em uma grande área do mercado. O sommelier faz a ligação da enologia com a gastronomia, porque afinal é sempre bom tomar um vinho acompanhado de uma boa comida. Diferente da enologia que é uma faculdade, sommelier é um curso, podendo durar um dia ou até mais de um ano.

Débora: O que deve ser levado em consideração na hora de escolher um vinho?
Carolina: Quando eu vou comprar um vinho, normalmente compro por recomendação, porque nem todo vinho caro é bom, e você pode acabar tendo péssimas surpresas. 

Se não for por recomendação, escolho por vinícola. Se você conhece a vinícola já pode ter uma ideia do produto que está comprando. Com vinhos que não são tão caros, que você não conhece e ninguém nunca te recomendou, vale a pena arriscar, afinal quem não arrisca não petisca.

Débora: Os brasileiros ainda têm um certo preconceito com o vinho nacional, você acha que isso tende a mudar?
Carolina: Acredito que já está mudando, antigamente o vinho brasileiro era de péssima qualidade e isso fez com que o brasileiro achasse que todos os vinhos eram iguais, hoje por sorte essa qualidade está mudando e já temos muitos vinhos bons no mercado. A tendência é que a qualidade aumente, pois as técnicas estão cada vez mais avançadas. Assim aos pouquinhos o brasileiro tem perdido esse preconceito, mas ainda temos que trabalhar muito em cima disso.

Débora: O vinho tinto ainda ganha na disputa de preferência com o vinho branco?
Carolina: Sim, o tinto ainda é a preferência da maioria dos enófilos, isso muda um pouco nessa época do ano, com o calor intenso o vinho tinto acaba descendo "quadrado". Uma boa pedida são os bons espumantes brasileiros e os brancos, que também são bem refrescantes. 

Monte Agudo - Chardonnay 2008
Débora: Cite alguns dos seus rótulos preferidos?
Carolina: Vou citar alguns vinhos que quando tomei me marcaram. O primeiro é o Norton Privada, na época não tinha costume de beber vinho, experimentei numa degustaçao que fui com o meu pai e achei maravilhoso. Esse vinho foi escolhido como um dos melhores da noite, aquilo fez eu perceber que a pessoa não precisa entender  muito para saber se o vinho é bom ou não. Outro vinho que acho maravilhoso é o Angélica Zapata, essa vinícola é realmente muito boa e faz outros vinhos espetaculares, mas o Angélica Zapata é sempre uma boa pedida. Também gosto muiro do Navarro Correa Pinot Noir e do Dado, que é um vinho de duas vinícolas, uma espanhola e outra portguesa que fizeram uma parceria. Outro rótulo muito bom é o Cloudy Bay Sauvignon Blanc da Nova Zelândia. Para finalizar eu não poderia de deixar de citar o meu Chardonnay, que é uma ótima pedida para esse verão.

Débora: Fale um pouco sobre a vinícola Monte Agudo.
Carolina: Bom, a Monte Agudo é uma vinícola boutique situada no terroir de São Joaquim. Com 6.3 ha. de vinhedo, as cepas foram trazidas da França e plantadas a uma altitude de 1.280m. Escolhemos as uvas tradicionais, a branca: Chardonnay, e as tintas: Cabernet Sauvignon e Merlot, que são sempre colhidas manualmente. 

Agora estamos no mercado com o Chardonnay 2008, é um vinho que tem passagem de 5 meses por barricas francesas de primeiro uso dando assim uma cor amarelo ouro com notas de especiarias e um toque amanteigado que se mesclam aos florais. A altitude elevada faz com que esse vinho tenha uma boa acidez, resultando equilíbrio que o torna longo e agradável.

Em breve lançaremos o corte de Cabernet Sauvignon/ Merlot 2008 e o Chardonnay 2010.

Espero que vocês tenham gostado da entrevista e não deixem de provar o vinho da Carolina, eu posso garantir que é muito bom.

Qualquer dúvidas ou mais informações sobre a vinícola Monte Agudo, entrar em contato: (49) 9985-1446 (48) 9933-7679 ou no email: vinhedos@monteagudo.com.br
  
Beijos,

Débora

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dicas de Vinhos!

O post sobre Buenos Aires me fez lembrar os ótimos vinhos que bebemos por lá. Tive então a ideia de falar um pouquinho mais sobre essa minha nova paixão.

Comecei a beber vinhos despretensiosamente para acompanhar meu marido. No início, eu não conseguia distinguir um vinho de R$ 20,00 de um de R$ 80,00 e vice-versa. Atualmente, meu paladar já está bem mais apurado, o que está tornando essa brincadeira cada vez mais cara.

Aos poucos eu e o Victor passamos a estudar mais sobre o assunto, compramos livros, guias e até um pequeno caderninho onde colamos os principais rótulos e avaliamos a bebida. Hoje, praticamente todas as jantinhas aqui em casa são regadas por um bom vinho.

Nosso Caderno de Vinhos 
Avaliação do Angélica Zapata
Amancaya para comemorações especiais

Agora, compartilho com vocês alguns dos meus vinhos preferidos. Os preços são aproximados e podem variar de loja para loja. Lembrem-se que a avaliação foi feita por mim, que não sou nenhuma profunda conhecedora do assunto. Enófilos de plantão, por favor perdoem possíveis besteiras aqui escritas.


Alamos Malbec - 2008
Preço: R$ 32,00
Nacionalidade: argentina
Produtor: Catena Zapata
Avaliação: é um dos melhores vinhos nessa faixa de preço, bem encorpado, com aroma de frutas maduras. Perfeito para quando se quer agradar sem gastar muito.





Alto Las Hormigas – Malbec 2008
Preço: R$ 38,00
Nacionalidade: argentina
Produtor: Las Hormigas
Avaliação: assim como o Alamos também tem um custo/benefício muito bom, seu aroma remete a especiarias, com destaque para a noz-moscada. A influência da madeira também se mostra presente. É um dos vinhos preferidos da Raquel, minha irmã.


Filipa Pato Ensaios - 2008
Preço: 45,00
Nacionalidade: portuguesa
Avaliação: é um vinho do Velho Mundo, bem diferente dos argentinos citados acima. O paladar mineralizado, dá a sensação de pequenas bolhas na boca. Vale a pena provar!





Luigi Bosca Reserva – Pinot Noir 2008
Preço: R$ 50,00
Nacionalidade: argentina
Produtor: Bodega Luigi Bosca
Avaliação: um vinho leve, com taninos macios e aroma de flores. Geralmente as mulheres gostam muito dos pinots, justamente por sua leveza.




Marquês de Casa Concha – Cabernet Sauvignon 2007 (safra histórica)
Preço: R$ 60,00
Nacionalidade: chilena
Produtor: Concha y Toro
Avaliação: um vinho elegante, com delicada acidez, bem forte e concentrado. É um dos preferidos do Victor.



Alma Negra Tikal – 2007
Preço: R$ 69,00
Nacionalidade: argentina
Produtor: Ernesto Catena
Avaliação: é um vinho forte e misterioso, que não revela quais são as uvas e as proporções utilizadas no blend. Talvez seja por isso que eu goste tanto.


Amancaya - Malbec/Cabernet Sauvignon - 2008
Preço: 70,00
Nacionalidade: argentina
Produtor: Barons de Rothchild e Nicolas Catena
Avaliação: um dos meus vinhos preferidos, com aromas maduros e marcante presença de frutas e especiarias. Perfeito para comemorações especiais!



 

Angélica Zapata – Malbec 2006
Preço: R$ 110,00
Nacionalidade: argentina
Produtor: Bodega Catena Zapata
Avaliação: pelo preço vocês já podem imaginar qual será a avaliação. Sem dúvida nenhuma, um dos melhores vinhos argentinos dos últimos tempos. Forte, encorpado, intenso, único. Quem bebe jamais esquece!


Vale lembrar que, na hora da compra é muito importante prestar atenção na variação da uva e também no ano em que o vinho foi produzido. Um malbec é completamente diferente de um cabernet sauvignon ou de um pinot, e a qualidade também varia muito de safra para safra.


Segue abaixo algumas das lojas onde vocês poderão encontrar a maioria dos vinhos citados:

* In Vino Veritas (perto da Rua Teffé)
* Vinnea (Coronel Dulcídio)
* Adega Brasil (Mercado Municipal)
* Vino (Mercado Municipal)
* Festval  (Brigadeiro Franco)

Os preços dos vinhos em Buenos Aires se reduzem a metade. Então, se vocês ficaram com vontade de ir para lá depois de lerem meu último post, apresento aqui mais um bom motivo para começarem a planejar a viagem.

Tim tim,
Débora


Ps. leu e gostou? deixe um comentário.